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FIM DO AUXÍLIO EMERGENCIAL EM MEIO À PANDEMIA PODE COLOCAR 24 MILHÕES DE BRASILEIROS NA EXTREMA POBREZA, ALERTA FENAE.
29/12/2020 16:20 em Direto da Redação

Da redação - Os cenários econômico e sanitário do país e a decisão do governo de encerrar nesta quinta-feira (31) o pagamento do auxílio emergencial aos brasileiros que mais necessitam de amparo do Executivo preocupam a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae). Além do aumento dos casos de covid-19, - já são cerca de 7,5 milhões de ocorrências e mais de 191 mil mortes pela doença -, projeções feitas por diferentes institutos e especialistas apontam para o crescimento da inflação e do desemprego no Brasil. “Serão dezenas de milhares de pessoas jogadas na miséria”, alerta o presidente da Fenae, Sergio Takemoto, ao observar que a federação sempre defendeu a manutenção do auxílio emergencial em R$ 600 mensais e enquanto durarem os efeitos da pandemia. “Quem mais sofre e continuará padecendo com esta crise sem precedentes e que tende a se arrastar no próximo ano é a população mais vulnerável”, ressalta o presidente da Fenae. 

POBREZA — Após o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmar que o fim do auxílio emergencial pode fazer com que o Brasil alcance a marca de 24 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza, ou seja, com renda mensal de até 155 Reais, o pesquisador Vinícius Botelho, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), divulgou, na última semana, a projeção de que 17 milhões de brasileiros estarão nessa condição a partir do próximo mês de janeiro. Segundo o estudo, isto representará 26,2% da população. Em setembro deste ano, mês seguinte à redução do valor do auxílio pela metade, tal percentual ficou em 18,3%. 

DESEMPREGO — A taxa média de desemprego projetada pelo Ibre/FGV é de 13,6% para 2020 e de 15,6% em 2021, com as maiores taxas sendo registradas entre o segundo e o terceiro trimestres do próximo ano. "Em 2021, teremos uma perda de massa de renda muito alta com o fim do auxílio emergencial e parte da poupança da classe média já terá sido gasta. Então, certamente o que veremos será o consumo das famílias perdendo um pouco de espaço", avalia Daniel Duque, pesquisador do Ibre. "A crise pandêmica é bastante regressiva; ou seja, ela afeta muito mais o trabalhador informal, que é menos escolarizado e tem salário médio menor", afirmou à BBC News Brasil a sócia e diretora de análise macroeconômica da Tendências Consultoria, Alessandra Ribeiro.

INFLAÇÃO — Pesquisa divulgada nesta segunda-feira, 28, pelo Datafolha mostra que a expectativa de aumento da inflação atingiu, neste mês de dezembro, o maior patamar registrado no governo Bolsonaro. De acordo com o levantamento, para 72% dos entrevistados, a inflação vai aumentar. O índice é 5% maior do que o registrado em agosto, quando 67% dos ouvidos pelo Datafolha tinham essa crença. Naquele mês, a inflação estava em 2,44%. Em novembro, chegou a 4,31%. "Não há como contestar tantos dados", destaca Sergio Takemoto. "Não se pode dar as costas para a população mais carente, que sente diariamente os efeitos da inflação nos alimentos básicos e que ainda depende do auxílio emergencial para sobreviver", reforça o presidente da Fenae.  

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